De 89 a 94, meu pai foi concessionário Gurgel...
Muito embora eu admire demais o gênio inventivo do finado Gurgel, não dá pra negar o fato: o BR-800 era uma BOSTA de carro. "Nunca antes na história deste país" se ganhou tanto dinheiro nas costas dos trouxas. O carro só tinha 3 coisas boas:
- agilidade no trânsito;
- economia;
- pioneirismo (primeiro carro nacional).
O resto, meu querido, junta tudo e joga fora. Lerdo pra embalar, ventilação interna péssima, defeitinhos crônicos, desconfortável... nem ele nem o modelo seguinte (Supermini) tudo que se esperava deles. Pra piorar, veio o Mille (muito melhor na proposta do segmento) e aí que o barraco da Gurgel desabou.
(recuerdo: eu tive a "primazia" de levar o primeiro bloco do motor de BR pra ser retificado na Baixada Santista... numa repetição do "efeito GTi", os mecânicos pararam pra ver o tamanhinho do bloco, parecia um vaso de flores)
Carro bom da Gurgel só era esse aqui, ó:
Tocantins L (capota de lona)... tive um desses, 91, só que o meu era branco (CBB 4559)... esse, sim, valia o investimento na compra. De toda a linha, era o único realmente honesto em sua proposta e que cumpria o prometido. Tanto que até hoje é relativamente comum ver esse modelo (bem como seu antecessor, o X-12) rodando por aí firme e forte, seja no asfalto ou esculachando modelos BEM mais caros e potentes nas trilhas do Brasil afora.
Apesar de tudo, Gurgel foi um homem que ousou. Pagou o preço pela ousadia mas escreveu o nome na história do país.
Esse carro deu muito o que falar entre 1989 e 1990... primeiro carro com injeção eletrônica do Brasil, o Gol GTi foi uma tacada de mestre da VW. Agregou de uma vez tecnologia e exclusividade a um carro que, a despeito da liderança do mercado, não tinha nada disso.
A primeira vez que vi um GTi foi uns 15, 20 dias após o lançamento. A turma da época tinha "fugido" do camping onde passávamos as férias e se mandado pra uma barraca de lanches em São Roque (SP). Sabadão a noite, o terreno em frente a barraca cheio de gente e carros e um dos nossos - apelidado Tolei - centrando as atenções com seu Opalão (um Comodoro 83 4 portas, vermelho metálico, com kit do 87, todo equipado).
De repente, alguém grita "olha o GTi". Não lembro se foi gente da nossa turma ou não, só sei que lá vinha ele. Entrou na rua da barraca, bem devagar, depois entrou no terreno e estacionou. O dono - um gordinho com chapéu de cowboy, cara de uns 30 e poucos anos - desceu e foi comer um lanche.
PQP! Foi ele se afastar, todo mundo foi ver o carro... até o cara que tava na chapa largou os sanduíches e veio ver o "senhor" GTi. Não se via mais o carro, era só gente em volta dele. O mais interessante: ninguém tocava no carro. Parecia que tinha um cordão de isolamento invisível em torno dele, o pessoal só olhava e comentava. Um ou outro se aproximava pra ver o interior, o resto só em volta pagando um pau. O Opala do Tolei? Ninguém lembrava dele, nem o próprio Tolei... :)
Não lembro de outro carro nacional ter causado tanto frisson na época do lançamento como esse. Ainda hoje mantém a mística, tanto que já se fala de um novo GTi pra essa nova geração do Gol. Será que vai dar o que falar como seu antepassado?
Um dos colégios mais tradicionais de Santos foi vendido para a Prefeitura. O Colégio Santista, 105 anos de idade, onde gente do calibre de Mário Covas (e eu também) já estudou, vai ser municipalizado.
A notícia colocou a cidade em polvorosa. Sabe aqueles fatos isolados que chacoalham todo um cotidiano? Pois é, a venda do Santista foi o fato do mês aqui em Santos City. Pais de alunos indignados, ex-alunos revoltados, nego mandando e-mail pra Roma (só porque o Vaticano é ali perto todo mundo acha que vai adiantar alguma coisa...), todos putos da vida com o rumo que o Santista tomou.
Aí, eu lanço a seguinte pergunta no ar: TÃO PUTOS COM O QUE? Porra, e desculpe o linguajar, mas tenha dó! O colégio já vinha deficitário desde 2005, com pouco mais de 430 alunos (sendo que a maioria era bolsista). Vai se manter com o que, a base de orações? Oração - e isso eu aprendi no Santista - é o alimento da alma, não garantia de pagamento. Os indignados acham o que, que colégio marista não tem conta pra pagar? Já que estão tão revoltados, por que não bancam a escola?
Os ex-alunos cobram a todo momento uma explicação. Tirando uns e outros bem intencionados, duvido que o resto lembre, sequer, o endereço da escola (lembrando: rua Sete de Setembro 34, Vila Nova, Santos/SP).
A verdade, realmente, é que a venda do Santista atingiu em cheio A VAIDADE de alguns. Santos sempre foi conhecida por ser uma cidade de falsos milionários. Aqui é foda, todo mundo aproveita a chance de se colocar (pelo menos assim eles pensam) acima dos outros. O Santista era um dos últimos marcos desse pseudo-glamour, dessa falsa sensação de superiordade que é tão inerente ao povo santista. Foi um dos poucos marcos que resistiu ao tempo e a crise, já que o Caiçara Clube, o Regatas e o Clube XV já não são mais referência pra nada.
Eis que de repente a Prefeitura assume o colégio. Esse é o verdadeiro X da questão: NINGUÉM ADMITE QUE O SANTISTA, CELEIRO DE GENTE IMPORTANTE E CONCEITUADA, SEJA TRANSFORMADO EM COLÉGIO DE POBRE! Ninguém tá se importando com história, com troféus, com prêmios, com legado, com porra nenhuma. importam-se, isso sim, com o falso glamour, a pseudo-distinção, o nariz empinado em bater no peito e dizer "estudei no Santista". Só isso.
Que seja concretizada a venda e a transição do Santista. Melhor isso do que ver o colégio ser fechado e virar um castelo mal-assombrado, abandonado como a sede do finado Regatas na Ponta da Praia. E que a hipocrisia de alguns dessa cidade aprenda com esse "golpe" do destino: nada é tão eterno que um dia não acabe.
*sou ex-aluno (1979 a 1983, voltando de 1986 a 1987), fiquei chocado com a venda mas não me prendo ao passado. Me prendo, isso sim, as memórias e o legado do colégio, isso o tempo não apaga.
Esse é o nome da minha coluna de futebol no www.papodebola.com.br ... bem, pelo menos era até algum tempo atrás, pois o site se encontra desativado. Fico daqui torcendo para que o site e seu criador-mantenedor-editor Edu Cesar - um abnegado que mantinha o site com recursos e suor próprios - consigam voltar, como a Fênix da lenda.
Enquanto isso não acontece, o L de Leonardo, a partir de hoje, assume a função da "Chutando". Meus escritos sobre futebol serão todos publicados aqui enquanto o Papo não volta.
É isso aí. Se gostar, chame o pai, a mãe, os vizinhos, primos, tios, etc. pra ler!
Existe coisa mais incômoda que toque escandaloso de celular? Parece que as pessoas, hoje em dia, querem que todo mundo saiba que elas tem celular... incrível.
Agora há pouco tocou o celular de um colaborador daqui. O singelo toque? O ronco de um motor de Fórmula 1. Isso já é irritante na pista, imagine dentro de uma sala! Será que ele não conhece a função "vibracall", não?
E assim vamos andando, no mundo dos toques. E nosso ouvido que se dane...!
Até que enfim, uma street que eu teria...
Ficou bacana essa CB 300, bem estilo "street fighter"... quero ver é o que os concessionários vão fazer com tanta Twister 2008 encalhada nas lojas. Se já tava difícil pra vender antes do lançamento oficial da CB, imagina agora!
Até que enfim, se mancaram que o Batman não é só trevas...
Já tava com vontade de conferir essa nova série animada do Morcego. Como não consigo ver os episódios exibidos no Cartoon Network aos sábados, peguei uns episódios no Youtube, em inglês.
O conceito da série é baseado na série The Brave and The Bold, na época em que as histórias eram todas focadas nas parcerias de Batman com outros heróis da DC Comics.
Puta merda, é a melhor coisa que fizeram com o Batman nos últimos anos! Pegaram todo o clima da série de TV dos anos 60 e dos quadrinhos antigos, jogaram tudo numa caldeirão e colocaram no forno. O melhor de tudo: chega daquela escuridão tão associada ao Bats desde que Frank Miller andou dando suas escrevinhadas no personagem. Aqui, o que manda é a farsa, a brincadeira, o clima camp que tantos escurraçam, mas que faz bem pro Batman. As frases de efeito ("Eu sou o príncipe-palhaço do crime!"), as armadilhas sem noção (Batman e Arqueiro Verde presos no pêndulo de um relógio cuco gigante, cortesia do Rei Relógio) e as homenagens estão todas lá. É ver e virar fã na hora.
Dica: se vc conhece inglês, pegue no Youtube Game over for Owlman!
O Coringa rouba o show! Fora o Batmóvel-reserva, igual ao modelo dos anos 40.
O nome do post já diz tudo... esse scooters grandes são maravilhosos!.
Nunca fui muito bom pra pagar contas... algumas eu pago em dia, outras sempre caem na vala comum do "puta merda, esqueci"... e fica aquele sentimento de incompetência administrativa, de que se tivesse prestado atenção não teria que arcar com atrasos, cartinhas nada simpáticas e juros.
Mas eu andei pensando: por que eu tenho que me sentir assim, um inútil, quando ser devedor no Brasil é tão bom? Dever no Brasil não é mais vergonha, é estilo de vida. As pessoas enchem a boca pra dizer "devo tanto no lugar tal" e ainda são olhadas com admiração por isso, pela coragem de não honrarem com seus compromissos. Mas mais bacana, ainda, é encher a boca no telefone e dizer "não vou pagar enquanto não fizerem um acordo comigo". E lá vai o trouxa do credor tratar o devedor com um sorriso no rosto para tentar receber, se não o valor completo, ao menos um valor menor que amenize o prejuízo. Viram só porque é tão bom ser devedor no Brasil? Aqui, o devedor pode mais que o credor.
E a lei? Ora, a lei... a lei permite que você deva os tubos para uma instituição bancária e, daqui a cinco anos, não deva mais nada. Sua dívida caducou! Que maravilha! Dá, até, pra fazer planejamento familiar: "Vou comrpar um carro, pago a primeira parcela e deixo devendo. Daqui a cinco anos a dúvida caduca e eu mando o Juninho pra faculdade".
Acho que vou começar a repensar meus conceitos... ser devedor, no Brasil, é uma benção!
Quem é de Santos, certamente já está sabendo da presepada armada pela prefietura minicpal com o extinto Clube de Regatas Santista. Simplesmente deram a direção do clube um prazo para reformar a sede, na Ponta da Praia, ou então botar tudo abaixo.
Interessante o posicionamento do Poder Público neste caso... até porque este mesmo Poder Público vetou, há um tempo atrás, a venda dessa mesma sede para uma empresa de São Paulo. O montante a ser apurado cobriria as dívidas trabalhistas do clube (que não são poucas) e, de quebra, ainda pagaria as indenizações das mortes no famigerado show dos Raimundos, em 97. No que o negócio foi fechado, um vereador da cidade se insurgiu contra a venda (como se ele, sequer, lembrasse da existência do clube). O prefeito se meteu na conversa dizendo que o clube era um patrimônio da cidade (sei, sei...) e, no fim, a venda foi embargada. Ficou o clube com uma mão na frente, outra atrás e uma sede caindo aos pedaços totalmente abandonada.
Agora, a prefeitura joga mais essa pedra no peito dos diretores do clube. Fica, então, a seguinte pergunta: por que cargas d´agua não permitiu a bendita venda? Agora vir com essa conversa mole? Ora, se é tão incômodo assim aos olhos do Poder Público a degradação da sede do Regatas, o Poder Público que arque com os custos da reforma. Simples assim!
Adoro minha cidade, mas tem coisas aqui que me irritam. Essa hipocrisia é uma delas.
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