Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Recuerdos automobilísticos parte II: nos tempos do Gurgel

 

De 89 a 94, meu pai foi concessionário Gurgel...

 

 

 

Muito embora eu admire demais o gênio inventivo do finado Gurgel, não dá pra negar o fato: o BR-800 era uma BOSTA de carro. "Nunca antes na história deste país" se ganhou tanto dinheiro nas costas dos trouxas. O carro só tinha 3 coisas boas:

- agilidade no trânsito;

- economia;

- pioneirismo (primeiro carro nacional).

O resto, meu querido, junta tudo e joga fora. Lerdo pra embalar, ventilação interna péssima, defeitinhos crônicos, desconfortável... nem ele nem o modelo seguinte (Supermini) tudo que se esperava deles. Pra piorar, veio o Mille (muito melhor na proposta do segmento) e aí que o barraco da Gurgel desabou.

(recuerdo: eu tive a "primazia" de levar o primeiro bloco do motor de BR pra ser retificado na Baixada Santista... numa repetição do "efeito GTi", os mecânicos pararam pra ver o tamanhinho do bloco, parecia um vaso de flores)

 

 

 

Carro bom da Gurgel só era esse aqui, ó:

 

 

 

Tocantins L (capota de lona)... tive um desses, 91, só que o meu era branco (CBB 4559)... esse, sim, valia o investimento na compra. De toda a linha, era o único realmente honesto em sua proposta e que cumpria o prometido. Tanto que até hoje é relativamente comum ver esse modelo (bem como seu antecessor, o X-12) rodando por aí firme e forte, seja no asfalto ou esculachando modelos BEM mais caros e potentes nas trilhas do Brasil afora.

 

 

Apesar de tudo, Gurgel foi um homem que ousou. Pagou o preço pela ousadia mas escreveu o nome na história do país.

 

 


publicado por L de Leonardo às 19:43
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Recuerdos automobilísticos: "Olha o GTi"

Esse carro deu muito o que falar entre 1989 e 1990... primeiro carro com injeção eletrônica do Brasil, o Gol GTi foi uma tacada de mestre da VW. Agregou de uma vez tecnologia e exclusividade a um carro que, a despeito da liderança do mercado, não tinha nada disso.

 

 

 

 

A primeira vez que vi um GTi foi uns 15, 20 dias após o lançamento.  A turma da época tinha "fugido" do camping onde passávamos as férias e se mandado pra uma barraca de lanches em São Roque (SP). Sabadão a noite, o terreno em frente a barraca cheio de gente e carros e um dos nossos - apelidado Tolei - centrando as atenções com seu Opalão (um Comodoro 83 4 portas, vermelho metálico, com kit do 87, todo equipado).

De repente, alguém grita "olha o GTi". Não lembro se foi gente da nossa turma ou não, só sei que lá vinha ele. Entrou na rua da barraca, bem devagar, depois entrou no terreno e estacionou. O dono - um gordinho com chapéu de cowboy, cara de uns 30 e poucos anos - desceu e foi comer um lanche.

 

PQP! Foi ele se afastar, todo mundo foi ver o carro... até o cara que tava na chapa largou os sanduíches e veio ver o "senhor" GTi. Não se via mais o carro, era só gente em volta dele. O mais interessante: ninguém tocava no carro. Parecia que tinha um cordão de isolamento invisível em torno dele, o pessoal só olhava e comentava. Um ou outro se aproximava pra ver o interior, o resto só em volta pagando um pau. O Opala do Tolei? Ninguém lembrava dele, nem o próprio Tolei... :)

 

Não lembro de outro carro nacional ter causado tanto frisson na época do lançamento como esse. Ainda hoje mantém a mística, tanto que já se fala de um novo GTi pra essa nova geração do Gol. Será que vai dar o que falar como seu antepassado?


publicado por L de Leonardo às 20:54
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Colégio Santista

Um dos colégios mais tradicionais de Santos foi vendido para a Prefeitura. O Colégio Santista, 105 anos de idade, onde gente do calibre de Mário Covas (e eu também) já estudou, vai ser municipalizado.

A notícia colocou a cidade em polvorosa. Sabe aqueles fatos isolados que chacoalham todo um cotidiano? Pois é, a venda do Santista foi o fato do mês aqui em Santos City. Pais de alunos indignados, ex-alunos revoltados, nego mandando e-mail pra Roma (só porque o Vaticano é ali perto todo mundo acha que vai adiantar alguma coisa...), todos putos da vida com o rumo que o Santista tomou.

 

 

Aí, eu lanço a seguinte pergunta no ar: TÃO PUTOS COM O QUE? Porra, e desculpe o linguajar, mas tenha dó! O colégio já vinha deficitário desde 2005, com pouco mais de 430 alunos (sendo que a maioria era bolsista). Vai se manter com o que, a base de orações? Oração - e isso eu aprendi no Santista - é o alimento da alma, não garantia de pagamento. Os indignados acham o que, que colégio marista não tem conta pra pagar? Já que estão tão revoltados, por que não bancam a escola?

Os ex-alunos cobram a todo momento uma explicação. Tirando uns e outros bem intencionados, duvido que o resto lembre, sequer, o endereço da escola (lembrando: rua Sete de Setembro 34, Vila Nova, Santos/SP).

 

 

 

A verdade, realmente, é que a venda do Santista atingiu em cheio A VAIDADE de alguns. Santos sempre foi conhecida por ser uma cidade de falsos milionários. Aqui é foda, todo mundo aproveita a chance de se colocar (pelo menos assim eles pensam) acima dos outros. O Santista era um dos últimos marcos desse pseudo-glamour, dessa falsa sensação de superiordade que é tão inerente ao povo santista. Foi um dos poucos marcos que resistiu ao tempo e a crise, já que o Caiçara Clube, o Regatas e o Clube XV já não são mais referência pra nada.

 

Eis que de repente a Prefeitura assume o colégio. Esse é o verdadeiro X da questão: NINGUÉM ADMITE QUE O SANTISTA, CELEIRO DE GENTE IMPORTANTE E CONCEITUADA, SEJA TRANSFORMADO EM COLÉGIO DE POBRE! Ninguém tá se importando com história, com troféus, com prêmios, com legado, com porra nenhuma. importam-se, isso sim, com o falso glamour, a pseudo-distinção, o nariz empinado em bater no peito e dizer "estudei no Santista".  Só isso.

 

Que seja concretizada a venda e a transição do Santista. Melhor isso do que ver o colégio ser fechado e virar um castelo mal-assombrado, abandonado como a sede do finado Regatas na Ponta da Praia. E que a hipocrisia de alguns dessa cidade aprenda com esse "golpe" do destino: nada é tão eterno que um dia não acabe.

 

 

 

*sou ex-aluno (1979 a 1983, voltando de 1986 a 1987), fiquei chocado com a venda mas não me prendo ao passado. Me prendo, isso sim, as memórias e o legado do colégio, isso o tempo não apaga.


publicado por L de Leonardo às 18:47
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