Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

A Rosa Púrpura do Cairo

Final de 2010 se aproximando, e aquela bike Peugeot que eu mostrei em outra postagem ainda estava do mesmo jeito... bem, não totalmente do mesmo jeito: já havia conseguido pedais (B´Twin, coisa fina), selim Selle Royal, canote e blocagem rápida em alumínio. Aqui ela já aparece "em pé", apenas com as rodas no lugar pra dar uma idéia de como ficaria depois de pronta:

 

 

 

Abaixo, algumas das peças que eu separei para ela. Os câmbios originais e um sistema de blocagem rápida B´Twin:

 

 

 

Isso foi em final de setembro, no mês seguinte eu entraria em férias. Para não levar tudo para casa (por falta de espaço) resolvi deixar a bike no serviço. Confesso que também o fiz por preguiça mesmo, por tinha outra bike e não estava dando lá muita atenção para a Peugeot. O castigo dos deuses da bike foi cruel...

 

 

-*-

 

Começa que no final de outubro, já perto de voltar a trabalhar, a outra bike foi roubada. Uma bobeira, uma distração e lá se foi. Chateado, pensei "porra, pelo menos tenho a MTB, agora é voltar a trabalhar e montar logo a bike" Mais uma vez os deuses pareciam estar contra mim...

Ao voltar para o serviço, logo no primeiro dia, fui lépido e faceiro pegar a bike pra deixar na bicicletaria e montar. Abro a porta do quartinho onde a deixei... e cadê a bike? Ou melhor: cadê as rodas, banco, canote, pedais, cadê tudo que eu havia comprado para ela? Resposta: viram a bike ali, toda bonitinha, e não pensaram duas vezes, tiraram TODAS as peças e mandaram para São Paulo, para montar uma e deixar exposta no stand da Peugeot no Salão do Automóvel... é brincadeira, né?

 

Pensei comigo: "bom, ainda tenho os câmbios, freios, conduites e outros periféricos em casa, nem tudo está perdido". Ah, estava sim... as referidas peças foram todas jogadas fora numa faxina geral no meu quarto.

 

A essa altura do campeonato eu estava mais derrotado que o Barrichello numa disputa de par ou impar. Sem bike, sem peças... só um quadro e uma baita frustração.

O tempo foi passando e fui procurando alternativas para fazer a bike rodar... um dia trombei com essa imagem:

 

 

Essa single-speed foi feita por um fabricante artesanal de Santos, o Cahuê, da Fênix Bikes, a partir de uma quadro MTB da década de 90 (e por onde anda vc, hein, Cahuê?)... fez pro tio dele. Bem simples, mas me deu a idéia: por que não fazer da minha uma single-speed também?

 

Um quadro na mão e uma idéia na cabeça, parafraseando Glauber Rocha, lá fui eu para a bicicletaria. Cheguei lá, apresentei o quadro e fiz a "lista" de compras:

- banco Selle Royal;

- canote GTS M1 (o único que cabia no quadro);

- freios V-Brake e manetes em alumínio;

- single-speed;

- pedais em alumínio.

 

Deixei lá, fui trabalhar... cabeça a mil, só pensando na grana que ia gastar... e louco pra ver a magrela pronta. No finzinho da tarde veio o telefonema: "Está pronta".

Sabe quando você vai se encontrar com uma garota e ela está na porta da casa dela te esperando? Foi quase a mesma sensação... na hora que a vi, parada na porta da bicicletaria, esqueci as preocupações com dinheiro. F-se grana, o que vale é o sonho realizado! Paguei com gosto, de boca cheia, e levei pra casa:

 

Linda, não?

 

 

Andei com ela nessa configuração durante um tempo... mas cometi um grave erro com as rodas: montei uma novinha na traseira (até porque não tinha como desmontar o cassete da roda original) e mantive a dianteira original, por economia. Óbvio que mais de 10 anos de zinabre e desgaste, um dia cobrariam seu preço. Um tombaço de cinema comigo e minha filha junto, provocado pelo empenamento dos raios. A bike "focinhou' de frente e lá fomos nós pro chão da ciclovia.

 

De volta a bicicletaria, o dolorido veredicto: " A raiação empenou. Essas bikes não aguentam tanto peso, não" Solução? Rodas aero de parede dupla e raios reforçados. R$ 140,00 o par.

 

Ironia 1: eu sempre babei por esse tipo de roda, mas sempre achei caro demais.

Ironia 2: a nova roda traseira me custou a bagatela de R$ 25,00. Com mais R$ 25,00 eu colocava uma roda novinha na dianteira e não teria estourado a mim e a minha filha na ciclovia... como dizem, "burro bom só aprende é na porrada".

 

Tirando isso a bike tem um desempenho excelente.. leve e muito maneável, qualquer mudança de direção é feita de maneira segura e rápida. Os pneus é que fazem um ruídio chato, mas isso é característica e não tem como mudar.

 

 

 

Muita gente me perguntou porque não repintei a bike. Até pensei em fazer isso, já havia selecionado a cor (Cinza Manitoba) mas não deu... quando fui lavar o quadro encontrei os selos originais de fabricação (Inglaterra) e etiquetas de controle (suspeito que uma delas tem o nome do montador, está marcado M. Guillemin). Depois dessa, nem tive coragem de mandar pintar. Fora que os adesivos são todos clear coat, aí que desisti mesmo.

 

 

 

Se você chegou até o fim dessa "Odisséia", saiba que valeu MUITO a pena. Gastei mais do que previa, trombei com umas "lombadas" no caminho, mas valeu.

Espero, um dia, descer a Manutenção com ela.

See ya!

 

 


publicado por L de Leonardo às 19:03
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