Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012

O Estádio de Teseu

Conheces o "Princípio do Navio de Teseu"? Não? Nem mesmo eu conhecia até um tempo atrás. Segue uma explicação:

"...de tão admirado e acarinhado, o barco do herói grego Teseu foi preservado pelos atenienses ao longo de gerações, substituindo as pranchas apodrecidas por novas, de tal forma que ao fim de algumas décadas já não restavam partes do navio original." 

 

O questionamento filosófico é se esse navio ainda é o mesmo ou já se tornou um novo navio devido a substituição das pranchas apodrecidas. Resumindo: a despeito das peças novas o navio ainda é o mesmo em sau essência? Isso, claro, tem dado pano pra manga e já rendeu uma bela dor de cabeça jurídica ao finado Boyd Coddington por causa de seus carros modificados. 

 

A Vila Belmiro segue quase o mesmo princípio do Navio de Teseu. Tão acarinhada e admirada foi ganhando inovações e "pranchas" novas ao longo dos anos. Camarotes, iluminação, cadeiras. Mas, como o navio do herói grego, a Vila continua sendo o que sempre foi: o estádio onde Pelé jogou. O maior da Baixada Santista. Um dos destinos turísticos mais procurados por gente do mundo todo. E, na essência, um estádio velho cujo peso dos anos se fez sentir com mais intensidade no jogo contra o Atlético-MG.

 

Reparem na foto acima. A Vila está imersa num mar de casas e prédios. Edificações que nem sonhavam em ser erguidas em 1916, ano que o estádio foi inaugurado. As ruas do entrono do estádio são estreitas e em dias de jogo parecem dimunuir uns 200%, tamanho o mar de gente que circula pelas adjacências. É gente procurado os portões de entrada designados no ingresso, é gente circulando apenas por circular, é polícia, é carro, é ambulante, é estacionamento improvisado em garagem de residencia próxima... claro, nada diferente do que se vê em estádios pelo Brasil afora, mas imagine o leitor essa muvuca toda no entorno mostrado na foto. Deveras complicado, não?

Como se não bastasse isso tudo, a Vila foi alvo de inúmeras reformas ao longo os anos. Algumas necessárias pela idade do estádio, outras movidas por interesses eleitoreiros e megalomania desenfreada de mandatários que lá estiveram. Pra falar o português claro: encheram a Vila de borogodós desnecessários e inadequeados. Quiseram modernizar o antigo e o resultado foi um senhora de 96 anos com piercings nos mamilos.
Tudo isso cobrou seu preço ontem. Pode-se alegar - como disse o Fábio Sormani - que o caminho entre o jogador caído e onde a ambulância estava pode ser coberto em menos de um minuto. Não importa. Fato é que o acesso da ambulância foi impedido devido a uma mureta que algum "gênio" colocou lá entre uma reforma e outra. Já não se aprendeu o suficiente com a morte do Serginho? O fato da Vila estar a 500m da mais antiga Santa Casa do Brasil e mais perto ainda da Beneficência Portuguesa não atenua o ocorrido, até porque os hospitais não se levantam do chão e vão até lá andando.
A Vila, do jeito que está, precisa ser urgentemente repensada. Reavaliada em sua totalidade. Já se aventa a possibilidade de uma interdição. Irônico: sempre se interditam estádios se algupem jogar o que for no gramado. Desta vez quem "jogou" algo foi o time da casa antes do jogo começar.

publicado por L de Leonardo às 18:27
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012

Qualquer Vicente de Carvalho tem um vida melhor que Santos!

E não é verdade? A frase, adaptada do filme "Qualquer gato vira-lata", cai como uma luva pra Santos.
 

Uma coisa é fato: a Santos atual, aquela que emociona o santista vista lá do alto da Anchieta, já morreu faz muito tempo. Vive-se, hoje, um processo de transição que cobra seu preço no povo dessa terra.

 

Santos é um pântano: estagnado, parado. O cidadão dessa terra não vê mais opções de nada por aqui. Lazer, moradia, trabalho, cultura? Por favor, dirija-se a Imigrantes e suba a serra, por favor. E não volte para nos contar, pra que não morramos afogados de inveja.

O êxodo para as cidades vizinhas só faz aumentar a cada dia. Atentem para o sabor da ironia: as cidades que antes eram piada hoje são refúgio dos outrora piadistas. Ríamos gostosamente dos vicentinos, guarujaenses, praia-grandenses, cubatenses e, hoje, somos nós a piada. Devemos rir ou chorar?

 

Nenhum dos dois. Talvez fazer as malas e dar o fora seja a opção mais sensata.


publicado por L de Leonardo às 13:41
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